Texto poético
Individualismo Natural
Nascemos e desde este primitivo momento
Somos jogados nesta densa selva que é a vida
A competição nos compete e nos acomete
Desde que somos pequenos até nossa despedida.
Há a competição pelo amor, por dinheiro, e por comida,
Há competição entre estranhos e entre conhecidos
O importante agora é ser o primeiro
Pois ser o segundo é ter menos
Ou somente ter um motivo
para se vingar do primeiro.
Alcançar nossos objetivos obedecendo a um foco
Alcançar nossos objetivos subindo no fraco.
Tudo que nos rodeia nos dias atuais
É uma fachada pra sobreviver na sociedade
Uma sociedade que ensaia no coletivo
Mas que no palco da vida,
Só atua no individual.
Grupo:
Felipe
Francisco
Isabela
Pablo
Paloma
Paulo
Escrito por Renata às 23h04
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Texto poético
Individualidade Coletiva
Porque não consigo me expor ?
Porque não consigo me abrir ?
E mesmo assim, quem se importa ?
A verdadeira essência humana
Não é percebida pelas pessoas
Por falta de vontade,
Tempo ou capacidade
E daí quem sou eu ?
E daí quem é você ?
Apressados e calados
Fechados em nós mesmos
Falamos sem pensar
Olhamos sem ver
Amamos sem amor
Sem nem saber por quê.
Escrito por Renata às 21h49
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Texto narrativo
Universo solitário
O sol entediado suspira e uma onda de calor envolve a Terra. Triste e aborrecido em sua órbita silenciosa, segue filosofando mais uma vez.
-“ Os humanos são como estrelas “ – ao longe parecem únicos, mas de perto percebe estão a milhares de anos luz uns dos outros. Alguns são como cometas ,passam pela vista revolucionando tudo e deixando sua marca. Outros são satélites . Sem luz própria brilham as custas de terceiros.
Apressados e calados, fechados em si mesmos, muitos são como
meteoros : agressivos, obscuros como um buraco negro, fugazes como estrelas cadentes.
Tranqüila em sua órbita, a Lua se aproxima e o interroga :
- “ Quem és tu, ó Sol, para julgar os humanos ? Se eles são egoístas, que dizer de ti ? Acaso não tento eu me aproximar todos os dias, e tu me repeles?”
De fato o sol, por instinto, não permite que ninguém a ele se aproxime. E mesmo a lua, jamais mudaria seu percurso, por ninguém.
Como de costume, o sol se põe na Terra, mas desta vez melancólico, pensativo. Dia quente, a noite triste. Mas para os homens, ele está e sempre como todos os dias. Isso também não estará muda.
Grupo:
Marcela Panhota
Nathalia Takenobu
Mayra Attuy
Olivia Garnier
Rosane Massoni
Escrito por Renata às 21h47
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Texto poético
Recomeço
Por que o sol saiu e você partiu?
E essa flor se abriu se ninguém sentiu
Por que você riu se ninguém te pediu
Por que eu só tinha um sentimento vazio?
A comida sem gosto, o sexo sem gozo
A dor sem choro, a tourada sem o touro.
Em terra de solidão, quem tem um coração é rei
Mas para que essa coroa se não a dividiria com ninguém
O toque da seda, os dedos na areia
O frio na barriga iluminado pela lua cheia
Lembranças que hoje sinto, mas que um dia esqueci
Momentos que mal lembrava que vivi
Acordei em tempo, sufoquei um tormento
Hoje sei novamente o que é ter um sentimento
E a quem suplicar por ajuda, eu estendo minha mão
Pois agora, pulsa em mim um coração
Escrito por Renata às 17h27
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Texto narrativo
Recomeço
Às 7 da manhã pontualmente ele acordava. Antes mesmo que pudesse abrir seus olhos, já era bombardeado por uma série de notícias que saíam de seu rádio-relógio. Tomava café lendo o caderno de negócios do jornal e mal prestava atenção em suas torradas com margarina e no café quente que ardia em sua garganta. Tanto fazia, ele não era mais capaz de distinguir nada, com tamanha rapidez com que engolia sua refeição.
Às 7:30 saía de casa. No carro, sintonizava a estação de notícias. Um dia, sem querer, achou uma que tocava de rock antigo, os mesmos acordes de Beatles e Rolling Stones que embalaram seus tempos de juventude e teve vergonha de si mesmo, pensando em como era tolo por se emocionar com aquelas canções tão clichês. Riu de si mesmo e agradeceu por não ser mais aquele cara que alguns chamavam de louco. Se essas pessoas o vissem hoje, pensava ele, certamente não iriam reconhecê-lo. A barba, antes sempre grande, dera lugar a um modesto bigode, aparado com precisão todas as manhãs. O rosto, antes lugar de tantas caretas e sorrisos, foi substituído por uma expressão dura, imutável. As palavras, antes tantas e tão alegres, agora tinham um tom morno, pálido, sempre tratando de negócios ou outros assuntos que em nada lembravam seus áureos tempos de adolescente.
Em sua juventude, era formado por sonhos. Sua essência era pura poesia, declamada em qualquer esquina, em qualquer mesa de bar. O homem que via hoje no espelho não tinha mais aquela fibra, era formado por notícias, números, fatos. A intensidade de seus sentimentos dera lugar a um coração de gelo. Parcos sorrisos. Lágrimas secas, inexistentes. Há tempos não se relacionava com ninguém. O sexo tornou-se repugnante, o amor virou banalidade. Construíra uma barreira tão impenetrável em volta de si que o afastava de qualquer contato mais pessoal. Preferia a solidão a expor a suas fraquezas.
Até que um dia, enquanto discutia com seus sócios sobre a venda de ações da empresa, sentiu uma forte pontada no peito. Antes que pudesse pedir ajuda, desmaiou. Foi levado às pressas para o hospital e ao acordar, recebeu a notícia de que havia sofrido um ataque cardíaco e precisaria ficar de repouso por um mês, afastado de suas atividades profissionais.
Aproveitando o tempo que agora não lhe era escasso, começou a refletir sobre o modo como levara sua vida até então. Percebeu que os valores contra os quais ele se revoltava quando jovem agora guiavam sua vida. Aquele garoto rebelde e extrovertido dera lugar a um homem frio e calculista. Um homem que agora estava cansado de tanto buscar uma felicidade em lugares onde ela nunca poderia ser encontrada.
A primeira emoção que voltou a sentir foi a dor. Dor de ter se enclausurado em um oceano de solidão durante anos de uma vida que não voltaria mais e que só agora havia dado conta. Chorou. Teve raiva de tudo, mas refletiu e entendeu que aquele ataque cardíaco que quase o matara era, na verdade, seu renascimento, parando o ritmo frenético daquele mundo vazio em que vivia e lhe dando uma oportunidade de mudar. Sorriu. Ligou a TV, colocou num bom filme de velho oeste e se divertiu como há anos não fazia.
Grupo:
Andréia
Bruno
Flávia
Laís Lívia
Patricia
Escrito por Renata às 17h25
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Consciência
O mundo é
O mundo sempre será
O mundo foi
Informação, conhecimento e adaptação
Neste mundo
Estou consciente do que quero
Estou consciente do que tenho
Estou consciente do que faço
Estou consciente do que estão fazendo comigo
Estou consciente da minha consciência
É minha consciência que me torna inconsciente
Esta inconsciência vem
Do mundo sem determinação
Do mundo das informações
Do mundo da opressão
Do mundo das perfeições
Por tanto ser consciente
Não é observar muitas informações
Mas sim selecioná-las
E absorve-las
Escrito por Renata às 23h17
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Realidade Escondida
Escuto um alto ruído. É o despertador interrompendo meu sono, meus sonhos. Estico o braço e o desligo sem se quer abrir o olho. Outro ruído. De novo o despertador. Parece que não passou tempo algum. Desligo-o novamente. Tento abrir meus olhos, porem não enxergo nada. Está tudo embaçado. Meus cílios parecem não deixar meus olhos abrirem. Olho pro lado. O relógio marca 6:17 da manha. Atrasado de novo. Levanto da cama aos pulos. Corro ao banheiro para lavar o rosto. Não há tempo para tomar banho. Coloco a roupa. Vou até a cozinha para encher a barriga. Abro a geladeira. Vejo muitas coisas. Vejo? Leite, manteiga, frutas, comida. Muitas marcas. Tanta coisa que eu nem gosto. Tomo um leite e como uma fruta. Volto para o banheiro e pego o creme dental. Acabo de me arrumar e vou para o carro.
Sento no meu carro. Coloco o cinto. Engato a primeira. Ligo o radio. Saio. O portão da vai se abrindo. Carros, buzinas, pessoas. Tudo é tão rápido. Rapidamente entro na correria da cidade grande. Caminho pelas avenidas. Cores, formas, tudo passa por mim. Ou sou eu quem passa por tudo? Farol vermelho. Parar? Por quê? Quem decidiu que devo parar? Eu paro. Ouço ruídos. Olho ao meu redor e avisto pessoas, placas, passarelas, carros. Mais carros. São tantos. O homem ao lado fala ao celular. Balas colocadas no espelho do carro. Pessoas vendendo bugigangas. Crianças fazendo malabarismo. Verde. Continuo. Tudo continua. Lojas, marcas, cinema, relógio, 23 graus. Observo. Observo?
O tempo corre. São 7:00 h. Sento na minha cadeira no escritório. Relatórios, e-mail, fax, reunião, internet. Noticias minuto a minuto, segundo a segundo. Pego o jornal. Mais informação. Imagens, esportes, lazer, economia. Tudo ao mesmo tempo. O telefone toca. Pesquisa?
- “Não tenho tempo,” digo.
- O outro lado insiste: “Qual o creme dental que você usa?”
Eu paro de fazer tudo. Penso. Tento lembrar. Azul com listras brancas? Ou será verde?
- “Alo...”, a pessoa continua.
- “Não sei”, respondo!
- “Não sabe?”
- “Não!”
Desligo o telefone boquiaberto. Fico paralisado. Não sei o creme dental que utilizo! Isso me aterroriza. Será possível?
Triimmmm. O despertador toca e eu me levanto assustado. São 6:00 h, preciso ir trabalhar. Vou ao banheiro lavo o rosto e tomo meu banho. Vou tomar um café, a mesma imagem, geladeira cheia de marcas e produtos que nem conheço. Volto para me trocar e escovar os dentes. Pego meu creme dental e o analiso inteiro, do nome ao fabricante. Acabo de me arrumar e vou para o carro. Ligo o rádio, ponho o cinto, abro o portão e lá vou eu para o serviço. No caminho, vejo carros, pessoas, outdoors, placas, propagandas, marcas e me pergunto: será que foi um sonho?
Escrito por Renata às 23h13
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Texto poético
Castelos de Areia
Quando príncipe
Fui amado, temido
Tive terras, riqueza, poder
Parecia até querido
Doce ilusão...
Verdades florescem
Cobiça se espalha
Egos emudecem
Terra dada
Terra sofrida
Antes se dividida
Tirara-me a vida
Ninguém ao meu lado
Ninguém ante a mim
A areia se move
Levando me ao fim
Escrito por Renata às 11h58
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Texto narrativo
A Ilusão das Riquezas
Ilusão. Tudo é ilusão. A gente gasta a vida trabalhando, se esforçando e afinal que vantagem leva em tudo isso? Pessoas nascem, pessoas morrem, mas o mundo continua sempre o mesmo. A vida é ilusão.
O homem, hoje ao chão, viajara em outros tempos junto a uma caravana na travessia do deserto. Buscavam pela terra prometida, repleta de riquezas e virtudes que pudessem satisfazer seu povo, adepto a viver segundo uma hierarquia, uma ordem onde prevalecia a solidariedade.
O homem do chão, não satisfeito com os critérios impostos pelas autoridades superiores, decidiu abandonar o grupo em busca de suas realizações individuais. Resolveu trilhar sozinho seu caminho por aquela areia rumo à construção de sua própria fortaleza de vaidades.
Trabalhou duro, se esforçou muito para ter sucesso e liberdade, mas acabou por gerar inveja e cobiça naqueles que o rodeavam. Foi traído e perdeu tudo o que considerava mais importante: seus bens materiais. Desorientado, o homem do chão correu para o deserto procurando uma resposta para as injustiças que há neste mundo. Estava sozinho e caiu, ficou em má situação porque não tinha ninguém que o ajudasse a se levantar.
Padeceu nas areias. No fim das contas, o mesmo que acontece com os homens. Tanto as pessoas como os animais morrem. O ser humano não leva nenhuma vantagem sobre o animal, pois os dois têm que respirar pra viver. Como se vê, tudo é ilusão, pois tanto um como o outro irão para o mesmo lugar, isto é, o pó da terra. Tanto um como o outro vieram de lá e voltarão para lá.
Descobri que na vida existe uma coisa que não vale a pena: é o homem viver sozinho, sem amigos, sem filhos, sem irmão, sempre trabalhando e nunca satisfeito com a riqueza que tem. Para que é que ele trabalha tanto, deixando de aproveitar as coisas boas da vida? Isso também é ilusão. É uma triste maneira de viver.
Grupo:
Beatriz Vital
Felipe Nishioka
Gabriel Pascutti
Gisele Okada
Lucas Iozzi
Poliana Sousa
Escrito por Renata às 11h54
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Texto poético
Corpos em exercício vivo
Ele e ela.
Ela dançava, ele sambava.
Ela sorria, ele beijava.
Ela falava, ele sonhava.
Ela queria, ele protestava.
Ela implorava, ele cedia.
Ela sorria, ele gozava.
Ela exclamava, ele amava.
Eles sorriam e choravam.
Ela cai, ele a levanta.
Ela precisa, ele se priva.
Ela padece, ele desaparece.
Ela anoitece, ele esquece.
Escrito por Renata às 00h47
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Texto narrativo
Coração só e frio
Ele ficou insensível. E de repente estava desprotegido do mundo. Sentiu-se só. Como ele pode tentar sair desta situação? Olhou para seu redor. Viu e não viu. Na verdade, ele não sentiu.
“- Será que alguém pode me ajudar?”- disse com seus olhos perplexos, fitando um único ponto. “Por que isso aconteceu?” – gritava com sua voz rouca. Ele não conseguia pensar direito, pois nada sentia. Apenas visualizou a última situação em que pôde sentir seu coração bater de forma diferente, inconstante.
Era um fim de tarde. O sol ia embora, e com ele o calor do dia. Ele estava acompanhado, 1o encontro, e ela era muito especial pra ele. Juntos, tomavam um vinho, enquanto esperavam o carneiro terminar de assar. Passou uma pessoa com péssima aparência à sua porta; podia-se notar que estava mal de saúde, e com frio. Precisava de auxílio. Sua face era muito branca, e seus dentes batiam-se uns contra os outros por trás dos lábios arroxeados.
Ele nunca atendia essas pessoas, ainda mais agora, que estava com ela! O forno apitou avisando que a carne estava pronta para ser servida. A atitude dele ia ser ignorar a campainha, no entanto, ela, ao avistar o mendigo pela janela disse: “Pobre coitado! Vamos lhe dar comida e roupa para se aquecer.”
Ele concordou, para impressioná-la, e seu coração disparou a bater forte com a oportunidade e conquistar o amor dela. Mas, não deu um pedaço de seu precioso carneiro ao necessitado, e sim uma banana verde de sua fruteira. E no momento de oferecer uma peça para abrigo, deu-lhe uma blusa rasgada que de nada adiantaria no intenso frio.
A partir daí, não se lembrava de mais nada, de ter sentimentos, de sentir emoção, tristeza, ou felicidade. Estava só, e sem o amor dela.Agora, se arrependia. Poderia ser ele na mesma situação do indigente. No lugar do outro, gostaria de ganhar uma blusa confortável e que o aquecesse, e uma refeição quente. Lembrou-se, que antes ele costumava ajudar às pessoas necessitadas.
Sua mãe, a melhor pessoa que conhecia, que não negava nada a ninguém, sempre disposta a auxiliar e amar incondicionalmente, havia lhe ensinado que deve-se dar ao próximo o que se gostaria de receber. Mesmo que nos privássemos de algo, para poder repartir o que temos com os outros. Não nos fará tanta falta, como faz para realmente necessita. A mãe dele já passara por dificuldades e sabia como era nulo o respeito do próximo por situação.
Ele costumava seguir estes ensinamentos. Agora, já não mais ajudava o próximo. A situação ocorrida no fim de tarde ilustra como ele usou da caridade, do bem ao próximo por interesse, para parecer bem perante ela, perante a sociedade. Parece que o frio da cidade tinha feito com que seu coração se endurecesse, e congelasse, adotando uma nova referência: o ele mesmo.
Grupo:
Ana Luiza Polisel Carla Tucci Fábio Duarte Luise P. Sátyro Simone Teider
Escrito por Renata às 00h45
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Texto poético
Aciência
Cego sou
Pois só vejo parte
E uma metade
De nada vale
O que guarda a outra metade?
O que as máscaras escondem ?
Onde chega a vaidade ?
O horizonte é quão longe?
Dos meus sentidos falhos
Da minha míope visão
Do caminho, o atalho
Segue minha percepção
E se cegos todos somos
Toda cegueira é igual
E se tolos todos fomos
Não há tolo no final
E se um cego existe
Você é cego também
E se vemos a sombra
A luz não passa além .
Escrito por Renata às 21h06
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Texto narrativo
Respeitável público...
Era verão, época das férias escolares. A cidade se coloria dia após dia, como se estivesse convidando os habitantes ao divertimento, ao prazer. Se algum pintor por acaso passasse por ali, provavelmente teria instalado seu cavalete na praça central e produzido uma obra magnífica, batizando-a de “Carpe Diem”. Num terreno bem próximo à praça, fora instalado um enorme circo para entreter as famílias. Lona colorida e imponente, barraquinhas de lanche na entrada, música animada e todos os outros componentes que favorecem a criação de um ambiente descontraído e mágico.
Dentro de um dos vários camarins, um palhaço se preparava para a última apresentação do dia. Já havia calçado as botas vermelhas e a roupa-balão cheia de babados brancos. Estava sentado numa cadeira com a cabeça para cima, o olhar vago e distante, enquanto a maquiadora do circo fazia os retoques finais em sua caracterização: tinta branca no rosto, o contorno vermelho exagerado nos lábios, tudo a que tem direito um palhaço de verdade. Estava um verdadeiro enfeite ambulante, por fora. Porém, vazio e denso por dentro. Um bibelô frágil, oco, daqueles que você coloca na mais alta estante da sala, para que ninguém mexa e porventura quebre. Sentia alguma coisa estranha por dentro, algo o incomodava, mas nem ele próprio sabia o que era. Era algo difícil de ser verbalizado, uma inquietude que lhe trazia desconforto. Talvez era aquele ambiente tão silencioso do camarim que lhe despertava alguns demônios ocultos. Chacoalhou a cabeça, o que logo foi repreendido pela maquiadora:
- Fique quieto!
O palhaço resolveu então travar um diálogo qualquer, para amenizar o momento.
- Você não se sente enjoada com este ambiente de circo?
- Não - respondeu a jovem de maneira seca, como se estivesse com preguiça daquela situação.
- Sério, você gosta daqui?
- Aham...
- Pois eu acho estúpido... Não existe mais arte no circo.
Pronto, um palhaço filósofo. “Só essa que me faltava”, pensou a maquiadora.
- Por favor, fique quietinho para eu acabar logo com isso.
A verdade é que o palhaço não tinha muito orgulho da sua profissão, apesar de ser considerado bom. Era sempre aplaudido de pé no final dos espetáculos. Mas esse não era seu plano quando era criança e ficava imaginando uma profissão. Na medida em que aquela mulher que lhe pintava o rosto desviava de suas perguntas, transformando seu diálogo em monólogo, o palhaço se sentia cada vez mais vazio e sua expressão facial se entristecia de tal maneira que nem a carregada maquiagem conseguia disfarçar. A mulher, percebendo isso, resolve retomar a conversa para tentar distraí-lo e desviar esse pensamento que devia estar entristecendo tanto aquele homem.
Escrito por Renata às 21h01
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- Você sempre quis ser palhaço?
- É... – agora ele se tornara vago, demonstrando certa desconfiança. Fazia tanto tempo que aquela era sua profissão, que o circo era sua vida...
- Mas eu achava que o circo era diferente – completou o palhaço. E você?
- Sei lá... Nunca pensei muito nisso. Eu tive a oportunidade de vir trabalhar no circo e estou aqui. A maquiagem está pronta, se prepara que você já vai entrar.
E lá ia mais uma vez o palhaço cumprir sua nobre função: divertir os outros. O problema é que enquanto fazia isso, desgraçava a si mesmo. Havia há muito tempo se tornado uma pessoa deprimida, introspectiva, distante de si e do mundo. Seu interior era lamento, que todas as noites se estampava com um sorriso postiço, uma fantasia esdrúxula e algumas trapalhadas encenadas.
As luzes se acendiam, a música começava a dominar o ambiente e convidar os espectadores a um fino balanço de alegria e descontração. O mestre de cerimônias fazia suas devidas introduções, iniciando assim o espetáculo. O público parecia absorto por toda aquela magia e composição de cena, os trapezistas pareciam flutuar nas nuvens, os equilibristas desconheciam a lei da gravidade e os domadores pareciam conhecer a mais profunda técnica da hipnose, comandando com astúcia e segurança todos aqueles animais selvagens e de grande porte. Chegara a vez do palhaço, o momento mais esperado da noite, especialmente pelas crianças.
Parecia que aquele homem triste e acabado havia ficado na cadeira daquele escuro camarim. O homem que subia no palco, apesar de ser a mesma pessoa, se transformara em outro, diferente, mais alegre, vivaz, ágil e dinâmico. Era sagaz, interagia com o público – todos o acompanhavam encantados, como se estivessem sob algum feitiço. Aquele enfeite humano possuía bastante desenvoltura. O que ninguém sabia era que por dentro daquele doce se escondia um sabor amargo, de arrepiar qualquer paladar.
Escrito por Renata às 21h00
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As crianças adoravam aquele show. O palhaço ia até elas e fazia todas as gracinhas possíveis – um verdadeiro ídolo juvenil. A atmosfera convidava a todos à travessura e uma das crianças, captando esse espírito, resolve brincar também com o palhaço, arrancando-lhe o nariz vermelho e o chamando de narigudo, daquele jeito sapeca e ao mesmo tempo inocente. De repente, berros. Mal sabia ela que havia tocado no ponto mais fraco da pessoa por baixo daquela fantasia – a desconfiguração da máscara e a exposição da pessoa por trás dela. O palhaço se sentia desarmado porque não se sentia mais palhaço. Aquele gesto o desequilibrou por completo: perdeu a sincronia de seus movimentos e a peruca que escondia seus ralos cabelos. E pôs-se a gritar porque perdera seus escudos. Não sabia lidar com o público de outra maneira, com sua verdadeira identidade e a fobia e o pânico tomou conta de seu corpo. Saiu correndo para os fundos, frenético, em desespero. A platéia, confusa, começa a achar que aquilo faz parte do espetáculo e que o palhaço havia realizado sua cena final. Todos aplaudem, em uníssono, aquela cativante figura que saía em doido vôo em direção ao camarim.
Sentado naquela mesma cadeira, desconsolado, pousou a cabeça entre as mãos e começou a pensar. Sentia-se nu, envergonhado e ridicularizado. De repente, uma mão firme toca-lhe o ombro. Era seu pai.
- Filho, você é um bom palhaço.
Mas aquela frase ainda não lhe trazia conforto.
- Bom palhaço? Um palhaço que não consegue encarar o público sem a máscara...
- Mas os palhaços só são palhaços enquanto vestem suas máscaras.
- Então somos todos palhaços! – filosofou.
O pai, tentando motivá-lo, não desistia.
- Mas os bons são poucos e você é bom! Aposto que nem se lembra que seu sonho era ser Maestro.
Aquele foi o golpe final. O pai havia despertado a memória de seu sonho frustrado. Quando pequeno, sempre quis ser Maestro. Era encantado pela música, pela unidade das orquestras, aquilo sim era arte. Queria ser o condutor de uma obra artística, não apenas uma parte dela. Aquilo mexeu tanto com sua consciência que entrou em crise. Um enfeite em surto. Olhava para os lados e não via mais o pai. Soltava novos berros, cada vez mais fortes e barulhentos, sua pessoa era inteira frustração. Parecia expelir a vida a cada grito que dava. De repente, foi de encontro ao chão. E lá permaneceu inerte, estático. Estava morto.
No outro ambiente, o espetáculo havia acabado e as pessoas saíam das arquibancadas maravilhadas, todas elogiando as apresentações daquele circo. Os carrinhos de cachorro-quente e pipoca estavam a postos, para abastecer aquelas barrigas famintas que saiam pela abertura daquela imensa e colorida lona. Já era noite, mas o colorido luminoso se mantinha na cidade, naquele sutil convite de continuar o entretenimento, um cinema talvez, enquanto os mais exaustos se dirigiam para suas casas. Aquele fora mais um dia prazeroso de verão.
Grupo:
Alexandre Cicconi
Bruno Lima
Cassiano Coimbra
Felipe Pacheco
Marco Aurélio
Renata Luna
Escrito por Renata às 20h53
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